23/7/2010 14:40:14

Por que o risco de operação com trava bancária não compensa? A principal diferença entre esse tipo de operação e as operações mais comuns é o fato de que a factoring não tem contato com a sacada, não confirma os títulos e, se houver inadimplência, tudo deve ser resolvido com o cedente O economista, empresário e diretor regional da Associação Brasileira de Factoring (ABFAC) em Belo Horizonte, Bruno Assumpção, defende a necessidade de os empresários tomarem bastante cuidado na hora de decidir fazer uma operação com trava bancária. Para ele, esse tipo de negócio não compensa pelo risco que apresenta, afinal não é possível confirmar com o sacado nenhum título. Conforme exposto na edição de ontem, esse tipo de operação é usado em casos de sacados que não aceitam pagar terceiros e normalmente fazem seus pagamentos por TED direto na conta do cedente. Por isso, uma conta bancária é aberta em nome da cedente e, por meio de uma procuração, quem a administra é a factoring. Mas, o procedimento da operação é um pouco diferente já que a checagem dos títulos não pode ser feita. Segundo Assumpção, a própria documentação da operação é um tanto diferente. “As duplicatas são emitidas normalmente com o xerox da nota e aditivo. Mas as checagens não podem ser feitas direito. Não se pode confirmar, notificar da cessão ou mesmo protestar em caso de não pagamento. A factoring fica com a duplicata na gaveta, mas no fundo isso não vale muita coisa.” Caso a sacada decida pagar de outra forma ou não pague, a factoring, embora tenha toda a documentação da operação, não poderá fazer a cobrança da mesma forma. Protesto, por exemplo, fica fora de cogitação já que a cedente pode alegar desconhecimento de que o crédito foi cedido, afinal não houve notificação. Na opinião de Assumpção, o risco acaba sendo muito alto e não compensa, mesmo assim há muitos empresários que operam dessa forma. “Muita gente tem feito essas operações e para alguns até tem dado certo. A taxa é boa, o volume é ótimo, mas o risco não compensa.” Assumpção conta que chegou a fazer esse tipo de operação no passado e mesmo destinando uma pequena parcela da carteira para isso, achou melhor parar. “No passado eu fazia apenas com 5% do nosso capital para buscar uma taxa melhor. Corria risco com pouco. Mas, mesmo assim, acho que o risco não compensa.” Ele diz que há muitos empresários que discordam da sua opinião e defendem ser esse tipo de operação vantajosa e lucrativa. “Se você procurar alguns empresários, eles vão dizer que a operação é bem amarrada e que o risco é pequeno. Também vão dizer que a rentabilidade é ótima. Mas, do que vivi e conheço de factoring, as operações que dão problema são as que não são bem confirmadas com os sacados. E nesse caso não temos o menor contato com o sacado”, defende Assumpção. A cobrança acaba tendo de ser feita apenas junto ao cedente e o empresário de factoring fica totalmente preso ao seu cliente. “Não podemos protestar e se ligarmos cobrando eles [os cedentes] nem vão nos reconhecer como os legítimos detentores do título. As grandes empresas restringiram o pagamento de boleto bancário justamente para ter o poder de negociar apenas com o fornecedor, sem ter um terceiro. Sendo assim, essas empresas desconhecem qualquer titulo emitido contra eles. É ou não é um grande risco?” Por conta de toda essa dificuldade e risco, Assumpção não acredita que valha a pena fazer esse tipo de operação. “Gosto de operar apenas o tradicional. E gosto de não ter que depender do cedente para receber. Nesse caso fica complicado.” |